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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Contratorpedeiro Douro

            O Contratorpedeiro Douro foi construído em 1913 no Arsenal da Marinha, em Lisboa, com a assistência de uma equipa de técnicos britânicos. Da classe deste contratorpedeiro foram construídos mais três: Guadiana em 1915, Vouga em 1920 e Tâmega em 1924.

Características técnicas
            Deslocamento:                       670 tons
            Comprimento:                        73,15m
            Boca:                                        7,16m
            Calado :                                   4,20m
            Propulsão:                              3 turbinas com 17.000hp
                                                              3 veios
            Velocidade:                             27 nós
            Tripulação:                             73 marinheiros
            Armamento:                            1 peça de 100 mm
                                                              2 peças de 76mm
                                                              2 tubos lança-torpedos de 450mm
                                                              2 lançadores com 12 cargas de profundidade
                                                              20 minas
Contratorpedeiro Douro
            Como acção militar mais proeminente deste contratorpedeiro, é de realçar a sua participação na 1.ª Guerra Mundial, integrando a “Divisão Naval de Defesa e Instrução” sob o comando do Capitão-de-Fragata Leote de Rego, constituída inicialmente pelos cruzadores Vasco da Gama, navio chefe Almirante Reis e Adamastor, contratorpedeiros Guadiana (da classe Douro), torpedeiros n.º1 e n.º 2, submarino Espadarte e vapor Lidador.
            Como interveniente no conflito a sua tripulação estava isenta de franquia ao abrigo da Portaria n.º 862 de 27.01.1917, conforme podemos constatar pela exemplar que a seguir reproduzimos na figura 1.
Figura 1
            Sobrescrito impresso com o timbre do Contratorpedeiro “Douro”, ostentando o carimbo administrativo batido a violeta, remetido através do Serviço Postal do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.) em França * S.P.C. 9 (16.06.18) instalado no porto de desembarque em Brest, onde foi censurado pelo censor n.º 37 (carimbo batido a vermelho), para Lisboa, aqui novamente censurado pelo censor n.º 42 (carimbo batido a preto).
Modelo de isenção impressa e com carimbo. A Portaria n.º 862 de 27 de Janeiro de 1917, preconizava a entrega isentas de franquia, das correspondências ordinárias expedidas para o Continente e Ilhas, pelos militares e civis que constituíssem o Corpo Expedicionário Português, desde que as mesmas fossem marcadas com um carimbo especial com a legenda “Corpo Expedicionário Português – Quartel General”. Porém os serviços postais do C.E.P., contemporizaram e aceitaram que outros tipos de carimbo conferissem a isenção de franquia, e neste caso do Contratorpedeiro Douro o seu carimbo administrativo foi suficiente.

Bibliografia
·          Isentos de franquia de Portugal * II – As correspondências militares * 2 – Serviço Postal Militar, Armando Bordalo Sanches, A Filatelia Portuguesa n.º 57 – Junho 1994


domingo, 28 de agosto de 2011

Paquete Cazengo

Figura 1
            Uma das faculdades que os passageiros tinham quando viajavam a bordo dos paquetes era a de poderem utilizar as caixas de correio aí instaladas para poderem remeter as suas correspondências. Não raras são as vezes em que, nos portos de escala dos paquetes e com a conivência dos tripulantes, estes transportavam para bordo as suas correspondências de última hora de residentes, quando já se encontravam fechadas as malas formadas nos Correios. Nessas terras distantes em que só de 15 em 15 dias ou de mês a mês eram visitadas pelos paquetes, esta prerrogativa era sempre bem-vinda.
Figura 2
            Este tipo de expediente está representado nas figuras 1 e 2. O postal ilustrado, está franquiado com selo de 10 reis (selo de D. Carlos I tipo Mouchon) de acordo com a tabela de portes (publicada no Boletim Oficial de Angola n.º 10 de 07.03.1903) para cartões postais circulados para Portugal. Foi redigido do Lobito (12.12.1910) para Leiria (07.01.1911) com trânsito por Lisboa (06.01.1911). O selo foi obliterado com carimbo de denominação de origem “PAQUETE” aplicado em Lisboa à chegada (Roger Hosking 535). Ostenta ainda a marca do Paquete Cazengo, batida em verde-azul e datado de (06.01.1911), data da chegada a Lisboa. Este carimbo aparece também batido a preto e violeta, em períodos distintos.
            O postal ilustrado foi transportado na 86.ª viagem do Paquete Cazengo às colónias portuguesas da África Ocidental, com o seguinte itinerário em Angola:
                                   Lisboa (Saída)                                       07.11.1910
                                   ………………………….
                                   Luanda (chegada)                                 30.11.1910
                                   Luanda (saída portos do sul)             03.12.1910
                                   Novo Redondo                                       04.12.1910
                                   Benguela                                                 05.12.1910
                                   Moçamedes                                            10.12.1910
                                   Benguela                                                 12.12.1910
                                   Novo Redondo                                       13.12.1910
                                   Luanda (chegada)                                 14.12.1910
                                   Luanda (saída)                                      16.12.1910
                                   …………………………
                                   Lisboa (chegada)                                  06.01.1911

            O Cazengo foi mandado construir pela Empreza Nacional de Navegação em 1889, tendo a sua construção sido entregue à empresa inglesa de Hull, Earl Shipbuilbing & C.º. Foi registado na Capitania de Lisboa em 02.10.1889 e quatro dias depois (06.10.1889) iniciou a sua primeira viagem a África, tendo realizado 110 viagens desde esta data até 16.03.1916. A partir desta data, por razões de segurança, a censura proibiu a publicação, nos periódicos, dos movimentos marítimos.
            O Paquete serviu desde 6 de Outubro de 1889 até 8 de Outubro de 1918, data esta em que foi torpedeado e afundado por um submarino alemão, numa viagem de regresso de Liverpool para Lisboa, junto à costa francesa, em serviço do Governo Português. Morreram 4 homens da tripulação.
Paquete Cazengo
           
Características do Paquete
         Tonelagem: 3.009,07 tons
            Máquina: Earl’s, Hull – 2.200hp
            Comprimento 103,60m
            Boca: 12,30m
            Pontal: 8,00m
            Vapor de hélice
            Capacidade: 224 passageiros
           
            A proprietária do Paquete Cazengo era a Empreza Nacional de Navegação, fundada, como Parceira Marítima, em 20 de Dezembro de 1880, tendo-se tornado o maior armador português, e manteve-se sempre em actividade até 1918, data a partir da qual se transformou em sociedade anónima com a designação de Companhia Nacional de Navegação.
            Logo após a sua constituição, estabeleceu um contrato com carácter de exclusividade com o Governo Português, para a instalação de uma linha na navegação para as colónias portuguesas da África Ocidental. A sua primeira viagem realizou-se em 5 de Outubro de 1881 com um dos seus dois primeiros paquetes: o Portugal.

Bibliografia
·          Carreiras para Angola * Navios Portugueses que transportam passageiros e correio (1858-1916), António J. A. Marques Bonina.
·          Paquebot Cancellations of the World by Roger Hosking, 1987
·          Boletim Oficial de Angola

                                  

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Vapor Saudades

1938 – Império Colonial Português. Selo de 80c laranja, obliterado com carimbo batido a verde do “Vapor Saudades”. Carimbo aposto nas cartas lançadas na caixa de correio a bordo do navio.

            Em 7 de Fevereiro de 1916, em plena Guerra Mundial, foi promulgada a Lei n.º 480 (Lei da subsistência), que permitia ao Governo de então requisitar em qualquer momento matérias-primas ou meios de transporte que fossem indispensáveis aos interesses da economia nacional. A 17 de Fevereiro o governo britânico solicitou ao governo português a requisição urgente dos navios alemães fundeados na metrópole e colónias. Por Decreto n.º 2.229 de 23.02.1916 o Governo promulga as condições do modo como processar essa requisição. No dia seguinte (24 de Fevereiro) é publicado um novo Decreto com o n.º 2236 que determina a requisição para o serviço do estado dos navios retidos no porto de Lisboa, num total de 34, dos quais fazia parte um navio de nome “Phoenicia”.
            O “Phoenicia” é o segundo de uma série de três navios com o mesmo nome, que fizeram parte da empresa “The Hamburg Amerikanische Packetfahrt Actien Gelleschaft”, muitas vezes designada como “Hamburg América Linie” ou então abreviadamente como HAPAG. Esta companhia de navegação chegou a ser uma das maiores do Mundo.
            O “Phoenicia” construído na Alemanha em 1913 pelo construtor naval Flensburg Schiffesban A.G, com sede em Flensburg, tinha uma capacidade de carga de 2.185 toneladas, com 41 tripulantes e permitia o transporte de 14 passageiros. Tinha 111,03m de comprimento, 15,57m de boca e deslocava-se a 12 milhas/hora.
            A Portaria n.º 616 datada de 15 de Março de 1916 emanada do Ministério da Marinha determinava que fossem alterados os nomes dos navios alemães para nomes portugueses. Assim o “Phoenicia” é rebaptizado como “Peniche” e é integrado na frota da recém-criada empresa Transportes Marítimos do Estado (TME).
            Em 1925 em conjunto com mais outros oito navios foi vendido à Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, mais conhecida como Sociedade Geral, onde passou a ostentar o nome de “Saudades”
Desenho do Vapor Saudades
            A Sociedade Geral criada pelo industrial Alfredo da Silva em 1919, começou a operar com os seus barcos em 1922 com serviços marítimos para África, Norte da Europa e América do Norte. Em 1972 fundiu-se com a Companhia Nacional de Navegação.
            O vapor Saudades foi desmantelado em 1958.

Bibliografia
·          A Marinha Portuguesa na 1.ª Guerra Mundial * Parte II – A acção da Marinha na Europa por Bordalo Sanches, Boletim do Clube Filatélico de Portugal n.º 407
·          www.theshipslist.com